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Crato-CE: Ato expõe imagens de vítimas de feminicídio no Dia da Não Violência Contra a Mulher

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Na data que marca o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, lembrada nesta segunda-feira (25), lideranças e ativistas se reúnem na Praça da Sé, no município de Crato, para relembrar e denunciar os mais de 500 casos de feminicídio ocorridos na região do Cariri nos últimos 19 anos. Em 2019, são pelo menos 10 casos de vítimas na região, segundo Verônica Isidório, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Cratense (CMDMC).
 
Os números foram contabilizados nos 33 municípios que compõem a região do Cariri.
 
Um dos casos lembrados é o da professora Silvany Inácio de Souza, assassinada em 19 de agosto com tiros à queima-roupa. Na ocasião, ocorria uma missa na Catedral de Nossa Senhora da Penha, na Praça da Sé. O ex-companheiro da jovem foi preso minutos depois do crime. “Estamos aqui em memória das mulheres do Cariri e em nome da professora Silvany”, ressalta Verônica Isidório.
Memória de resistência
 
Para marcar o exato local do feminicídio foi colocada uma placa “para que quem passar lembre que aqui foi assassinada uma mulher pelo machismo”, relata a representante. Além disso, o banco onde o corpo da professora foi encontrado foi pintado de branco. Verônica Carvalho, do Grupo de Valorização Negra do Cariri, alega que o pedido oficial para organizar a manifestação foi feito à Prefeitura, mas foi negado.
“A devolutiva da prefeitura para não colocar a placa nos pegou de surpresa. Eles poderiam ter negado mas não da forma que está aqui. Nós queremos construir a comunidade do bem-viver e para isso vamos precisar de todo mundo, inclusive do poder público”, comenta Carvalho.
Em nota, a Prefeitura do Crato informou que “a demanda enviada, da maneira como foi apresentada, não tem a possibilidade de ser atendida, pois, de acordo com o princípio da isonomia e impessoalidade, princípios basilares da Administração Pública, o caráter público com que devemos tratar situações e fatos ocorridos no território municipal nos impossibilita de dotar atendimento diferenciado a situações iguais”.
 
Ainda segundo a nota, “o espaço público afetado pela tragédia, acometido por um sentimento de pesar, poderia criar um ambiente, que tido como um espaço familiar e de lazer, em um local de lamento, descaracterizando fortemente a ideia dos espaços públicos urbanos do Município em favor da família e do lazer”. A nota informa, ainda, que “a creche que está sendo construída no Conjunto Filemon Lima Verde levará o nome da Professora Silvany Inácio de Souza”.
 
Mês de tragédias
Em 19 de agosto de 2018, a professora Silvany Inácio de Souza foi assassinada com tiros à queima-roupa na Praça da Sé enquanto ocorria uma missa na Catedral de Nossa Senhora da Penha. O ex-companheiro da jovem de 25 anos foi preso minutos depois do crime. Menos de um mês depois, no dia 16 de setembro, outra professora, Cidcleide Bezerra Campos, também foi assassinada no município vítima de golpes de faca do ex-namorado.
Em setembro do mesmo ano, o número de boletins de ocorrência registrados por mulheres vítimas de violência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município dobrou de sua média mensal – entre 80 e 100 casos.
 
Dificuldade
A dificuldade em processar os dados é um dos principais empecilhos para a construção de políticas públicas de combate ao crime. “Os números são extremamente difíceis da gente processar. Um número significativo de casos está concentrado no Crajubar [Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha] e alguns ainda não foram julgados. O caso da Silvany tem mais de um ano e ainda não foi julgado. Estamos acompanhando o processo”, relata Verônica Isidório, presidente do CMDMC.
 
Vinte e cinco de novembro é celebrado o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, data que abre os 16 dias de ativismo pelo fim do feminicídio e outros tipos de violência de gênero. A campanha é construída em todo o mundo com orientação da Organização das Nações Unidas (ONU). Na região do Cariri, a campanha começou antes, no último dia 20, com a Marcha das Mulheres Negras do Cariri.
Por: G1 / Foto: Toni Sousa
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